Baú de Memórias

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Pe. Ernesto Cangueiro

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Pe. Ernesto Cangueiro

 

Pároco da Igreja Matriz de São Sebastião de 1928 a 1939, Pe. Ernesto Cangueiro era possuidor de excelentes qualidades, quer no desempenho dos sagrados serviços de sacerdote, quer como cidadão prestativo de nossa sociedade. Da sua passagem por Pederneiras podemos constatar seus brilhantes feitos, tanto no campo religioso como no social, destacando a construção dos prédios que integraram a Escola Paroquial Coração de Jesus, bem como seu empenho na sua instalação. Podemos também citar a construção do imponente prédio da União Católica, que tantos e bons serviços prestou à Paróquia e à cidade, pois ali se realizavam as belas e inesquecíveis festividades cívicas e sociais das irmandades religiosas, onde também se ministravam aulas noturnas do curso primário para alunos pobres. O seu salão nobre tornou-se o centro de todas as atividades sociais, artísticas e educativas, além da instalação do Cine União. Após a criação do Ginásio, o prédio foi doado à cidade e novamente se tornou o ponto de encontro de estudantes e dos pederneirenses. No prédio da União Católica também foi fundado, e conseqüentemente funcionou durante longo tempo o Tiro de Guerra 77. Oportuno transcrever um trecho do qual o ilustre sacerdote deixou escrito no livro tombo da Paróquia São Sebastião, com relação à Escola Paroquial: “Quanto foi minha alegria só Deus sabe! Estava realizada minha maior aspiração – possuir na Paróquia uma Escola sob a direção de Irmãs. Os frutos serão abundantes e o futuro se encarregará de mostrá-los. A Paróquia sem Escola própria não me parecia uma Paróquia completa. A Escola Paroquial Coração de Jesus é a perola mais preciosa engastada na coroa da Paróquia. É uma fonte inesgotável de consolações e alegrias. Sinto-me grandemente recompensado. As bondosas Irmãs Passionistas, na falta de sacerdotes, tem sido as minhas coadjutoras sempre atentas a minha humilde voz. O que elas tem feito é patente, não é necessário que o diga. Que Deus as recompense e que os meus bons paroquianos saibam corresponder a tanta dedicação. Amo a vida, mas antes a morte me leve que a Escola morra”. Palavras sensibilizadas e radiantes de sinceridade proferidas sobre calor da franqueza que lhe era peculiar, dispensam qualquer comentário. Não se pode deixar de mencionar os relevantes serviços prestados pelo Pe. Ernesto Cangueiro, ao lado de inúmeros outros corações generosos, durante a construção da Santa Casa de Misericórdia que no desempenho de sua finalidade, tem procurado satisfazer as necessidades da população em geral. Pe. Ernesto Cangueiro era natural de Portugal, onde nascera a 22 de junho de 1885. A 5 de julho de 1958, comemorou as bodas de ouro de sua ordenação sacerdotal. Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 21 de setembro de 1959.

Prédio da União Católica - A União de Moços Católicos de Pederneiras teve, em maio de 1928, o lançamento da pedra fundamental para a construção de seu novo prédio, próprio, na travessa Anchieta. Estavam presentes na solenidade o secretário da justiça Cel. Dias de Campos, delegado de polícia Dr. Saldanha Junior, oficiais da força pública, prefeito municipal Fausto Furlani e demais autoridades. Após a cerimônia religiosa, Mário Flores, presidente da União, leu a ata do lançamento da pedra fundamental e as congratulações do Dr. Saldanha Junior, que instigou os Unionistas a cumprirem com fervor os preceitos emanados da religião católica, concluindo “Moços! Deveis sempre escudar os vossos atos no emblema do estandarte sagrado da vossa religião: Deus e Pátria”. Após as solenidades, autoridades e comitiva visitaram uma fazenda do município, seguindo para o Castelo Furlani, onde a comissão de festejos, presididos pelo Pedro Jacyntho, os recepcionou com um jantar. Aconteceram concorridos e animados bailes na Câmara Municipal e na Sociedade Italiana para festejar esse lançamento. Em julho foram promovidas quermesses e festas pelas comissões organizadoras, presididas pelo pároco Ernesto Cangueiro, em prol da construção e foi um grande acontecimento social. Após a conclusão em 1929, o prédio foi palco de incontáveis atividades, iniciadas com a União de Moços Católicos, vindo após, o Cine União, Ginásio Dom Luiz, Ginásio Estadual Anchieta, Escola Técnica de Comércio Anchieta, Cine Anchieta, Centro Cultural, Biblioteca Pública, Departamento de Educação e Cultura, Faculdade G&P, Escola Prevê e o Cine Clube Sétima Arte. Pederneiras assistiu a inúmeros eventos que ali se sucederam ao longo dos anos, entre eles as reuniões das congregações católicas, das sociais, políticas e educacionais; peças teatrais, sessões cinematográficas, exposições de arte, fotográficas e de feiras escolares; festividades e comemorações. Mesmo após o incêndio de 1958, o edifício renasceu maior através do trabalho incansável do professor Sinésio Ghiraldeli. Portanto, tornou para a cidade um monumento de nossa história. O único fato a lamentar foi a sua descaracterização arquitetônica frontal.

 

Pesquisas: Rinaldo T. Razuk.

Actualizado em Terça, 05 Janeiro 2010 01:02  


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